Passar muitas horas sentado ou em pé, praticar atividade física sem o preparo adequado são situações comuns na rotina profissional e que podem ter reflexos nos pés e na circulação das pernas. Embora muitas vezes sejam encarados como desconfortos passageiros, sintomas como inchaço, sensação de peso, dores, formigamentos e alterações na pele merecem atenção.
De acordo com o angiologista, cirurgião vascular e endovascular Rodrigo Guedes, que atende no Clivar, Empresarial Graham Bell, sala 201, os problemas de circulação podem ter origens diferentes e apresentar sinais específicos. “Existem problemas venosos — que podem resultar em peso, cansaço nas pernas, pernas inchadas ou manchas — e os problemas arteriais, com lesões de pele, feridas, membros com alteração de cor, temperatura ou sensibilidade”, explica.
Movimento é importante para a circulação
Para quem trabalha sentado por longos períodos, movimentar as pernas ao longo do dia é uma medida importante. “O coração venoso é a musculatura da panturrilha, então é imprescindível realizar movimentos para ativar o retorno do sangue venoso, na tentativa de evitar não só a variz, mas a trombose venosa profunda”, detalha o médico.
O especialista acrescenta que o uso de meias de compressão elástica pode ser uma medida importante para quem precisa permanecer sentado por muito tempo. Pequenas pausas, com caminhadas curtas ou movimentos dos pés e das pernas, também ajudam.
Sobre as varizes, segundo ele, elas não devem ser observadas apenas pelo aspecto estético. “Em alguns casos, podem evoluir e provocar complicações graves, como úlceras na pele, alterações de coloração, sangramentos”, alerta.
Quando procurar um médico
Entre os sinais que merecem investigação, estão dores ao caminhar, alterações de coloração e de sensibilidade, feridas, dor, sensação de peso e inchaço nas pernas. O cuidado é especialmente importante para indivíduos hipertensos, diabéticos ou fumantes e para aqueles com histórico familiar de doenças vasculares. Controlar a hipertensão e diabetes a partir da hemoglobina glicada, e abolir o ato de fumar são fundamentais.
A saúde dos pés começa pela forma de pisar
Assim como a circulação, a saúde dos pés também está relacionada à rotina. Dores podem surgir por sobrecarga, uso inadequado de calçados, alterações na pisada, deformidades e lesões musculares ou articulares.
A fisioterapeuta Thalia Souza, do “Pés Sem Dor”, localizado no Empresarial Albert Einstein, sala 810, explica que a dor não deve ser encarada como algo normal, principalmente quando é persistente, recorrente, piora progressivamente, aparece mesmo em repouso ou vem acompanhada de inchaço, alteração de sensibilidade, formigamento ou dificuldade para caminhar. “Identificar a origem do problema é importante para que o tratamento não se limite ao alívio momentâneo do sintoma”, alerta.
A pisada pode repercutir em outras partes do corpo
Entre os problemas que chegam com frequência ao consultório estão fascite plantar, dores no calcanhar e relacionadas a alterações na pisada, sobrecargas musculares e articulares, tendinites e metatarsalgia (inflamação na parte da frente da sola do pé).
Alterações na pisada podem modificar movimentos e trazer dores no tornozelo, joelho, quadril e até repercutir na postura e na coluna. “Durante uma avaliação, observa-se como o paciente pisa, caminha e distribui a pressão plantar. Recursos como a baropodometria, o escâner 3D e a avaliação biomecânica podem auxiliar na identificação de padrões de sobrecarga e assimetrias”, explica Thalia.
A fisioterapia pode atuar tanto no controle da dor quanto na recuperação da função, trabalhando mobilidade, força, flexibilidade, equilíbrio e biomecânica e, segundo ela, atuar na causa sempre que possível.
Calçados e excesso de carga podem fazer diferença
A escolha dos calçados também merece atenção. Modelos muito rígidos e apertados podem contribuir para o surgimento ou agravamento das dores. “O problema não é necessariamente um tipo específico de calçado, mas a combinação entre o calçado, a atividade realizada e as características de cada pessoa”, explica Thalia.
A mesma atenção deve ser dada à prática de exercícios físicos. Aumentos muito bruscos na intensidade dos treinos, falta de preparo e alterações biomecânicas podem provocar sobrecarga nos pés e em outras estruturas dos membros inferiores.
Palmilhas personalizadas
Em determinadas situações, as órteses plantares — conhecidas popularmente como palmilhas sob medida — podem ser utilizadas sempre que existe uma alteração na forma como a pessoa distribui as cargas durante o apoio. “Ela melhora essa distribuição e proporciona mais conforto e equilíbrio durante a marcha”, explica Thalia.