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10/06/2026

Olhar que transforma: a vocação e os desafios da oftalmologia

Celebrado em 7 de maio, o Dia do Oftalmologista convida à reflexão sobre uma das especialidades médicas essenciais para a qualidade de vida: o cuidado com a visão. Mais do que diagnosticar e tratar doenças oculares, esses profissionais lidam diariamente com histórias, expectativas e, muitas vezes, com a possibilidade de devolver autonomia a seus pacientes. Para a oftalmologista Telma Florencio, da Univision (Torre Alfred Nobel), a escolha pela medicina nasceu justamente do desejo de estar próxima das pessoas e fazer a diferença.

“Escolhi a área de saúde no ano em que fiz vestibular, pois não é uma decisão fácil. Eu me interessava pelo contato com as pessoas, pelo lado humano da profissão e também com a capacidade de resolução e tratamento das doenças”, conta. Segundo ela, a identificação foi sendo construída ao longo da graduação, com experiências práticas, monitorias e o convívio com outros profissionais. “Com certeza, sou muito realizada profissionalmente”, afirma.

A decisão de seguir a oftalmologia veio após a conclusão do curso de medicina, impulsionada por um desafio específico: as doenças da retina. Há cerca de 30 anos, quando iniciou sua especialização, muitas dessas condições levavam à perda irreversível da visão. Hoje, o cenário é bem diferente. “Os tratamentos para retinopatia diabética, degeneração macular relacionada à idade, doenças genéticas da retina e retinopatia da prematuridade evoluíram muito. É possível tratar esses pacientes e evitar a cegueira em boa parte dos casos”, explica.

Essa evolução tecnológica e científica é um dos grandes atrativos da especialidade, mas também exige atualização constante. Para Telma, o compromisso com o estudo é um dos pilares da profissão. “Considero que é um conjunto: formação de qualidade, dedicação contínua e a capacidade de ouvir o paciente. Muitas doenças oftalmológicas estão relacionadas a fatores sistêmicos, então uma base generalista sólida é fundamental”, ressalta.

MOMENTOS MARCANTES

Entre os momentos mais marcantes da carreira, ela destaca o atendimento a recém-nascidos prematuros com risco de retinopatia da prematuridade. “Quando feito o tratamento, a maioria dessas crianças desenvolve uma boa visão, sem limitações para estudo e vida futura. Isso é extremamente gratificante”, relata. Por outro lado, situações envolvendo pacientes com retinopatia diabética avançada ainda a impactam profundamente. “Sabemos que políticas públicas adequadas, informação e acesso ao tratamento poderiam evitar muitos casos de cegueira”, pontua Telma.

DICAS PARA QUEM DESEJA SEGUIR CARREIRA NA OFTALMOLOGIA

“Não há atalhos. É muita dedicação e estudo. A boa vontade é importante, mas não substitui a formação adequada, a prática e o conhecimento técnico”, afirma. Ela também destaca que o retorno financeiro, embora relevante, deve ser encarado como consequência de um trabalho bem feito. “É preciso investir em aprendizado contínuo, participar de congressos e, ao mesmo tempo, cuidar da própria qualidade de vida para poder cuidar do outro”.

No Dia do Oftalmologista, histórias como a de Telma Florencio reforçam que a medicina vai além da técnica: é uma profissão construída com sensibilidade, responsabilidade e um olhar atento às necessidades do próximo. Afinal, enxergar bem é também viver melhor — e, para muitos pacientes, isso começa com o compromisso de um especialista apaixonado pelo que faz.